domingo, 11 de setembro de 2011

Sob o céu de Bagdá

(In: CARVALHO, Nelson. Quatro. Goiânia: Kelps, 2005. p. 99-101)











há crianças
                  mas não há
sob o céu de bagdá
a brincar pelas vielas
entre os braços dos irmãos
a transpor às aquarelas
a esperança em suas mãos
          como era em nagasaki
          como era o panamá

há crianças
                   mas não há
sob o céu de bagdá
não há bolas não há chão
nem cantigas nem pião
há napalm há canhão
há silêncio nas manhãs
          como houve panamás
          como houve vietnãs

há crianças
                  mas não há
sob o céu de bagdá
quanto há de se gastar
contra o chão dos palestinos?
são soldados são meninos
como os há em bagdá
           outra vez uma argentina
           outra vez um panamá

há crianças
                  mas não há
sob o céu de bagdá
há por cá uma loucura
hediondas criaturas
a matar os meu destino
           como houve uma granada
           como houve panamás

há crianças
                  mas não há
sob o céu dos EUA
mas a mão que os guiará
cedo ou tarde as trairá
e fará de nova iorque
de paris ou de berlim
           uma outra bagdá
           como houve um panamá

são crianças as de lá
como somos os de cá
como em tudo tão iguais
: na verdade de amar
: no direito de viver
sem o jugo da opressão

são crianças lá e cá
como em tudo tão iguais
             : no desejo de gerar
uma nova ordem de paz

             e dentro da paz
             do seio da paz
                                     mais paz

nunca outra bagdá
hiroshimas nunca mais


Um comentário:

Anônimo disse...

nossa
que intenso
passou muita coisa em minha mente ao ler isso
mito bom
parabéns
beijos.

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