(In: CARVALHO, Nelson. Quatro. Goiânia: Kelps, 2005. p. 99-101)
há crianças
mas não há
sob o céu de bagdá
a brincar pelas vielas
entre os braços dos irmãos
a transpor às aquarelas
a esperança em suas mãos
como era em nagasaki
como era o panamá
há crianças
mas não há
sob o céu de bagdá
não há bolas não há chão
nem cantigas nem pião
há napalm há canhão
há silêncio nas manhãs
como houve panamás
como houve vietnãs
há crianças
mas não há
sob o céu de bagdá
quanto há de se gastar
contra o chão dos palestinos?
são soldados são meninos
como os há em bagdá
outra vez uma argentina
outra vez um panamá
há crianças
mas não há
sob o céu de bagdá
há por cá uma loucura
hediondas criaturas
a matar os meu destino
como houve uma granada
como houve panamás
há crianças
mas não há
sob o céu dos EUA
mas a mão que os guiará
cedo ou tarde as trairá
e fará de nova iorque
de paris ou de berlim
uma outra bagdá
como houve um panamá
são crianças as de lá
como somos os de cá
como em tudo tão iguais
: na verdade de amar
: no direito de viver
sem o jugo da opressão
são crianças lá e cá
como em tudo tão iguais
: no desejo de gerar
uma nova ordem de paz
e dentro da paz
do seio da paz
mais paz
nunca outra bagdá
hiroshimas nunca mais


Um comentário:
nossa
que intenso
passou muita coisa em minha mente ao ler isso
mito bom
parabéns
beijos.
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