ARTIGO 1º:
fica decretada
a criação do verbo choppericar
a ser conjugado
toda sexta-feira ao fim da tarde
em qualquer lugar
- num bar, num apê ou em pleno ar -
mas de preferência sob o luar
e não só no verão,
porém - principalmente - quando for
outono em cada coração.
ARTIGO 2º:
fica decretado
que o verbo deve ser conjugado
por pessoas que se amem,
que possam passar a sensação do amar
inclusive com seu silêncio,
pois o que vale é estar presente,
sentindo-se bem
com amigos ao lado.
PARÁGRAFO ÚNICO:
é imprescindível que se conjuge o verbo também com o coração.
ARTIGO 3º:
decreta-se que os angustiados
serão sempre bem-vindos a choppericar
porque - é lindo - partilhar
a angústia que nos fustiga,
além do vento, com mãos espalmadas
e amigas.
PARÁGRAFO ÚNICO:
o verbo é defectivo
e assim paa todo o sempre há de ficar.
é proibido conjugá-lo no singular
pois com solidão
ele jamais vai rimar.
ARTIGO 4º:
estabelece-se a origem do verbo choppericar
como sendo da mesma família semântica
de provolonericar, mandiocaricar,
conversar, pizzaricar, alegrar, amar, amar.
Amar.
ARTIGO FINAL:
fica decretado
que as cadeiras vazias de um bar
se fazem vazias
para serem preenchidas pela alegria
e, mais que isso,
que nossas fantasias espalhadas à mesa
traduzem a certeza de que a beleza
é mais bela - muito mais -
quando construímos o belo
através da atitude de amar
e do exercício da paz.

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