terça-feira, 6 de setembro de 2011

Estatuto do Choppericar

(In: CARVALHO, Nelson. Utopia Versos Paixão. São Paulo: Edições Coelho, 1990. p. 41-43)












ARTIGO 1º:

fica decretada
a criação do verbo choppericar
a ser conjugado
toda sexta-feira ao fim da tarde
em qualquer lugar
- num bar, num apê ou em pleno ar -
mas de preferência sob o luar
e não só no verão,
porém - principalmente - quando for
outono em cada coração.

ARTIGO 2º:

fica decretado
que o verbo deve ser conjugado
por pessoas que se amem,
que possam passar a sensação do amar
inclusive com seu silêncio,
pois o que vale é estar presente,
sentindo-se bem
com amigos ao lado.

PARÁGRAFO ÚNICO:

é imprescindível que se conjuge o verbo também com o coração.

ARTIGO 3º:

decreta-se que os angustiados
serão sempre bem-vindos a choppericar
porque - é lindo - partilhar
a angústia que nos fustiga,
além do vento, com mãos espalmadas
e amigas.

PARÁGRAFO ÚNICO:

o verbo é defectivo
e assim paa todo o sempre há de ficar.
é proibido conjugá-lo no singular
pois com solidão
ele jamais vai rimar.

ARTIGO 4º:

estabelece-se a origem do verbo choppericar
como sendo da mesma família semântica
de provolonericar, mandiocaricar,
conversar, pizzaricar, alegrar, amar, amar.
Amar.

ARTIGO FINAL:

fica decretado
que as cadeiras vazias de um bar
se fazem vazias
para serem preenchidas pela alegria
e, mais que isso,
que nossas fantasias espalhadas à mesa
traduzem a certeza de que a beleza
é mais bela - muito mais -
quando construímos o belo
através da atitude de amar
e do exercício da paz.

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