sábado, 16 de agosto de 2008

Pétalapele: um aroma de Saudade

E quando ao acaso
a flor souber que é flor
sua Essência floral
dissipar-se-á em espiral

ou à mercê do Mistral
o qual flui... sopra
em arrepio fractal
a percorrer a pétalapele
pelepétala que despetala


um aroma de Saudade...

...e os sentidos regenera.
Os aflora à flor da pele
pelo corpo afora.


Meu tempo
é ao seu lado
a Eternidade
que no Infinito mora.






*(Poema de Gustavo Rabelo)

sábado, 2 de agosto de 2008

Oração da Paz













que os olhos que se fecham para ti
um dia vislumbrem
tua simples

singular grandeza
pois se ainda um homem
mata
a outro homem
é porque a capacidade de ver-te
ainda não amadureceu em nosso peito


que cada coração possa
neste espaço infinito de tempo
experimentar
partilhar
sentir a ti
de forma tão profunda
que faça o coração
explodir em canção pelo ar











que teu nome seja o mais poderoso
e o mais frágil substantivo
entre todos os nomes a se pronunciar
pois se ainda um homem se cala à força

é porque não foi permitido

abraçar a ti
dormir contigo no coração

que teus olhos de luz
sejam o farol
a nos levar adiante
neste mar
de incertezas
de medos
a abrir diante de nós
hoje
oxalá: que não seja só na promessa do amanhã












que um dia ofertemos flores
pois se ainda um homem vira as costas a outro

é porque teu significado ainda não está nas bocas


que tu sejas uma palavra de ordem

a invocar o belo ao ser pronunciada

que cada um a te proferir
transforme-se em luz
que tu não sejas para sempre uma utopia

pois se ainda não te transformaste em substância

é porque não somos merecedores de tua presença

e que consigamos descansar em seus braços

pois se ainda um homem se inunda de orgulho e preconceito

é porque teu mistério ainda não foi revelado.











Texto:
Alessandro Eloy Braga
Imagens: Corbis

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Paz Pela Paz - Saltimbancos da Pacificação



Paz
Monossílabo
almejado

sentimento
ameaçado(?)

um grão de vento
o voar fora da asa
nascido dos Barros de Manoel

gomo de nuvem
em arejado arabesco
a algodoar alimentar
a amplidão

um vôo




um vão
de silêncio a adornar
um cair de lágrima
em impalpável momento de perdão.


Paz
fresco afresco
aroma de romã
assovio de canção
poema dedilhado em violão


(poema de Gustavo Rabelo em Homenagem ao centenário de Guimarães Rosa)
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